terça-feira, 25 de setembro de 2012

Reciclagem no Brasil alcança menos de 2% de todo o potencial


O Brasil ainda tem 4 mil lixões e apenas 30% a 40% do lixo total coletado no país são dispostos em aterros sanitários adequados. Além disso, a reciclagem é muito baixa no Brasil, segundo avalia o secretário da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), Antonio Simões Garcia. Ele informou que os serviços de aproveitamento de material descartado não transformam no país sequer 2% do volume que pode ser reciclado.
À Agência Brasil, Garcia disse que estão “muito próximos da realidade” os números divulgados na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo os quais apenas 40% do lixo separado dentro de casa pelos brasileiros são coletados seletivamente ao chegarem à rua.
Alex Cardoso, da coordenação nacional do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), acrescentou que, do total de lixões ainda existentes no Brasil, 1,7 mil estão na Região Nordeste. “Chega a ter cidades com dois lixões”, informou. O MNCR avalia que há grande mobilização da sociedade em torno da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que exige a coleta seletiva para municípios com mais de 30 mil habitantes.
Na avaliação de Cardoso, no entanto, esse processo ainda é “tímido” no Brasil, “porque a política já tem dois anos e cerca de 40% dos municípios brasileiros ainda têm lixões e não dispõem de sistema de coleta seletiva”. O integrante do MNCR lembra que, até 2014, os lixões terão que ser desativados. Segundo ele, com a implantação da coleta seletiva e a desativação dos lixões, haverá também a inclusão dos catadores.
O MNCR está preocupado com a disposição de alguns municípios de incinerar os resíduos para geração de energia. Alex Cardoso avaliou que essa é uma atividade negativa. Além de ser uma tecnologia cara, não inclui os catadores e é prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente, na medida em que libera gases causadores do efeito estufa.
Rita Sairi Kogachi Cortez, técnica do Instituto Gea, disse à Agência Brasil que o avanço do país em coleta do lixo “é muito pequeno em relação ao número de resíduos gerados”. Ela ponderou, contudo, que o “despertar” da população está ocorrendo, porque as pessoas se mostram interessadas em participar cada vez mais do processo de separar o seu lixo.
Segundo ela, é necessário que se criem mais coletas e mais cooperativas de catadores, “para que a coisa possa caminhar melhor no Brasil”. O Instituto Gea é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que tem entre as finalidades assessorar a população a implantar programas de coleta seletiva de lixo e reciclagem.
A defesa dessa estratégia é compartilhada por André Vilhena, diretor do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem com base no conceito de gerenciamento integrado do lixo. Disse que, nos últimos dois anos, desde a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, “houve um incremento significativo [das atividades de reciclagem], mas ainda muito longe do desejado”.
Vilhena comentou que, nesse período, cresceu o número de prefeituras oferecendo serviço de coleta seletiva ou ampliando o serviço onde já existia. O problema para a desativação dos lixões, segundo ele, é que a população brasileira se concentra nos grandes centros, em especial próximos ao litoral. “Se nós conseguirmos avançar nessas regiões de maior densidade populacional, com certeza nós vamos equacionar boa parte do problema”.
O diretor do Cempre disse que, para ter todo o território com a situação equacionada, existe a possibilidade de os municípios serem apoiados, por meio de financiamento do governo federal, para a formação de consórcios que vão elaborar os planos de resíduos e construir os aterros sanitários.
Segundo o diretor do Cempre, se forem formados 450 consórcios no Brasil, a questão será resolvida, “porque, em alguns estados, um aterro sanitário pode atender até 150 municípios”. Para ele, a solução é a melhor também pelo ponto de vista econômico. “Não faz sentido você ter um aterro sanitário para municípios com 10 mil ou 15 mil habitantes”.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Há cinco anos, mundo se comprometeu a barrar aquecimento

Previsão para os próximos anos é que temperaturas aumentem, no mínimo, 1,8 grau centígrado. A elevação das temperaturas climáticas, o aumento da emissão de gases e as consequências do efeito estufa sobre as pessoas e o mundo, associados ao desmatamento e ao risco de extinção de espécies da natureza, obrigaram os políticos a assumir compromissos para a busca de alternativas que solucionem esses problemas. A decisão de formalizar as parcerias foi tomada há cinco anos quando autoridades assumiram as discussões e as metas como prioridades.
Em 2007, os compromissos foram formalizados durante o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que publicou o quarto Relatório de Avaliação (AR4). A iniciativa ocorreu no momento em que foi registrada uma série de catástrofes naturais, vinculadas às mudanças climáticas, em vários países, como secas na China e África, além de inundações na Ásia e em alguns países africanos.
Na ocasião, foram apresentados estudos mostrando que houve uma elevação considerada incomum de catástrofes com elevadas temperaturas, diferentemente do que vinha ocorrendo nos anos anteriores. A previsão para os próximos anos é que as temperaturas aumentem, no mínimo, 1,8 grau centígrado (°C) e, no máximo, 4°C ou mais, se não forem adotadas as medidas necessárias para impedir o agravamento da situação.
Os especialistas advertiram ainda sobre o risco de extinção de algumas espécies de animais e plantas em decorrência da elevação das temperaturas. Para os cientistas, a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera está diretamente relacionada com a temperatura média global do planeta.
A estufa é o dióxido de carbono abundante gerado pela queima de combustíveis fósseis. Segundo os pesquisadores, um século de industrialização associado ao desmatamento e aos métodos agrícolas inadequados levou ao aumento da quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera. Com o crescimento da população e das economias, a tendência é aumentar o nível acumulado de emissões de gases de efeito estufa.
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (cuja sigla em inglês é Noaa), o nível médio do mar subiu entre 10 e 20 centímetros ao longo do século 20. Em 2100, a previsão é que tenha aumentado 18 a 59 centímetros. As temperaturas mais elevadas levam à expansão do volume dos oceanos, derretendo geleiras, adicionando mais água.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

6 dicas para reduzir (por conta própria) os gastos com luz



A partir de 2013, a energia elétrica vai ficar até 16,5% mais barata para os consumidores residenciais, conforme anúncio feito nesta semana pelo governo. Mas é possível ir além, adotando, por conta própria, medidas simples, no dia-a-dia, em casa ou no escritório. Com base em cartilhas da Secretaria de Saneamento e Energia de São Paulo, da Aneel e da UFSCar, preparamos seis dicas para ajudar a poupar o planeta e o seu bolso.

1 – Quer poupar? Deixe a luz entrar

Utilize ao máximo toda a luz natural (e gratuita!) que incide em casa ou no escritório. Durante o dia, mantenha janelas, cortinas e persianas abertas, permitindo a ampla passagem da luz solar. Para aumentar a claridade de um ambiente, utilize cores claras nas paredes internas e no teto. Outra dica é orientar a limpeza de casa e principalmente a do escritório (que em muitos costumam acontecer à noite), para os primeiras horas da manhã, a fim de aproveitar a iluminação natural.

2 – Iluminação artificial

Opte sempre por lâmpadas fluorescentes ou, pelo menos, utilize em ambientes que necessitam de maior iluminação. A economia é garantida: duas lâmpadas fluorescentes de 20 watts iluminam mais que uma incandescente de 100 watts. Dê preferência às que possuem o Selo Procel Inmetro de Desempenho.
Desligue a iluminação de ambientes desocupados ou que seja estritamente decorativa. Equipamentos como “dimers”, que controlam a intensidade da luz, e sensores de presença, que se acendem somente quando há circulação de pessoas, podem ser usados, resultando em significativa economia energética.

3 – De olho na energia “vampirizada”

Uma causa muito comum do aumento na conta de energia elétrica é a "fuga" de energia, uma espécie de “vazamento de eletricidade” que pode representar até 30% do consumo de luz no fim do mês. Emendas mal feitas, conexões frouxas, fios desencapados ou com isolamento comprometido pelo tempo são uma de suas principais causas. Outro vilão são equipamentos eternamente ligados na tomada por esquecimento.
Para descobrir se existe fuga de corrente no escritório ou em casa faça o seguinte: Desligue a iluminação e todos os equipamentos das tomadas. Com ajuda do zelador ou administrador do edifício, verifique se o disco do medidor continua girando.
Em caso afirmativo, existe fuga de corrente. Para identificar a origem da fuga, desligue a chave geral. Se o disco parar de girar, o problema está na instalação elétrica. Para resolvê-lo procure o serviço de um técnico especializado.

4 - Eletrodomésticos podem ser aliados

Sempre que possível, opte por eletrodomésticos que levam o selo Procel, que indica os equipamentos com menor consumo energético. Leve em consideração antes de adquirir um aparelho às opções que consumam menos watts. Em casa ou no escritório, tire os aparelhos eletrônicos da tomada quando estão fora de uso, principalmente televisão, aparelhos de DVD/Blue-Ray e de som. Alguns aparelhos precisam de atenção especial:
Geladeira - Mantenha a geladeira em local ventilado para facilitar a troca de calor pelos radiadores. Não forre prateleiras com filmes plásticos, que dificultam a circulação de ar em seu interior. Evite deixá-la aberta por muito tempo e mantenha em boas condições a borracha de vedação da porta. Geladeiras em más condições podem ser responsáveis por até 70% da conta de luz.
Ar-condicionado - Quando comprar um aparelho de refrigeração, procure dimensionar o espaço que ele ocupará e o seu potencial refrigerador. Existem tabelas para este cálculo nas lojas, é só perguntar para o vendedor. Lembre-se de conferir se o aparelho possui selo de eficiência energética. Na instalação, não deixe o aparelho em lugares quentes, próximo de equipamentos elétricos ou sob a luz do sol. Isso força o desempenho e consome mais energia.
O ideal é instalá-lo de frente para a maior dimensão do ambiente, o que facilita o processo de refrigeração. Você pode desligar o ar condicionado meia hora antes do fim do expediente e também durante o almoço, que a sala ainda permanecerá climatizada. Mantenha as portas e janelas fechadas, de forma a impedir a entrada de ar quente de fora.
Chuveiro elétrico - Nos dias quentes, use o chuveiro com a chave na posição verão. Na posição inverno o consumo de energia é 30% maior. Nunca reaproveite resistência queimada, pois aumenta o consumo de energia e não é seguro. Estude a possibilidade de instalar um aquecedor de água por energia solar, que, atualmente, possuem preços mais acessíveis e dispensam grande manutenção. Para baixar o consumo de energia – e de água -– tente reduzir a duração do banho de 20 a 40%.

5 - Computador, notebook e outros eletrônicos

O consumo individual destes equipamentos é no geral baixo (10 kWh/mês em média). No caso dos monitores, os gastos aumentam conforme o tamanho. A maioria dos monitores de 14" atuais consome em torno de 80 W, já os de 17" consomem entre 100 e 110 W, dependendo do modelo.
No entanto, em um escritório com vários computadores a participação no consumo total poderá ser significativa. Procure orientar os usuários a desligá-los quando não forem utilizados por longos períodos e, a utilizar sempre que possível os recursos de economia de energia disponibilizados nas máquinas.
Periféricos como impressora e scanners consomem energia mesmo quando não estão em uso; nesse caso, desligue-os das tomadas, assim como as caixas de som. Evite também deixar os aparelhos eletrônicos, incluindo celulares, recarregando durante toda noite. Plugue o carregador somente o tempo suficiente para completar a carga.

6 - Elevadores, só um por vez

Se você mora ou trabalha em um edifício com mais de um elevador, sabe que é bastante comum acionar todos eles ao mesmo tempo. Para economizar energia elétrica e evitar desgaste desnecessário dos equipamentos, o ideal é 'chamar' apenas um. Outra forma de evitar desperdícios é fazê-los atender a grupos diferentes de andares, pares e ímpares por exemplo.
Estude a possibilidade de desligar diariamente, de maneira alternada, um dos elevadores, no horário de menor movimento e utilização (por exemplo, das 22h00 às 6h00 e nos domingos e feriados). Em edifícios residenciais, crianças devem ser orientadas a não apertar todos os botões do painel.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Grande parte do lixo separado pelo brasileiro não é coletada de forma seletiva



Praticamente três entre dez domicílios brasileiros (29,7%) separam o lixo biodegradável do não degradável. No entanto, apenas 40% desse lixo separado dentro de casa são posteriormente coletados de forma coletiva quando chega à rua. Isso mostra que muitos brasileiros separam seus resíduos dentro de casa, mas depois grande parte deles é misturada ao lixo comum.
Os dados constam na Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 – Perfil das Despesas do Brasil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Região Sul é aquela que apresenta os melhores indicadores. Lá, 59,9% dos domicílios separam o lixo e 55,6% desses resíduos são coletados de forma seletiva. “A Região Sul está bem acima da média nacional, de 29,7%”, explica o pesquisador do IBGE José Mauro Freitas.
Em outro extremo, aparece a Região Norte, onde 6,6% dos domicílios separam o lixo biodegradável do não degradável e 16,8% desse resíduo são coletados seletivamente, segundo a pesquisa do IBGE.
O IBGE também observou a quantidade de lixo que é coletada, queimada ou enterrada no próprio terreno da família. No Brasil, a média do lixo coletado chega a 80,7%; os restos queimados ou enterrados, a 10,2%.
A discrepância é grande entre a cidade e o campo. Na área urbana, 91,1% do lixo são coletados e 1,5%, queimados ou enterrados na propriedade. Na área rural, os percentuais são, respectivamente, 24,4% e 57,7%.
Entre os estados, o Maranhão é o que tem o menor índice de lixo coletado (51,1%) e o com maior percentual de resíduos queimados ou enterrados (33,4%). Já São Paulo tem o perfil oposto: 94,5% do lixo são coletados e 1,7% são queimado ou enterrado.
A pesquisa mostrou ainda a quantidade de domicílios que têm água encanada aquecida. Três em cada quatro residências contam com algum tipo de aquecimento. Além disso, 70% das casas com água encanada recorrem à energia elétrica para aquecer a água.

Fonte:http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI6154467-EI306,00-Grande+parte+do+lixo+separado+pelo+brasileiro+nao+e+coletada+de+forma+seletiva.html


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Norma para controle, uso e descarte de pilhas e baterias é fixada pelo Ibama


O controle sobre a fabricação, o uso e o descarte de pilhas e baterias é fixado em decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Pela norma, há uma série de regras para o descarte do material, o transporte, a reciclagem e o acondicionamento, assim como a determinação para que os fabricantes e importadores elaborem um relatório anual, informando em detalhes os procedimentos adotados.
Nas embalagens e manuais das pilhas e baterias, os fabricantes terão que informar sobre a adaptação às novas regras contidas na norma para o descarte e a reciclagem. O material deve ser descartado em coletas seletivas próprias, que podem ser encontradas em postos de vendas e em fábricas, mas jamais em lixos comuns.
No texto publicado há uma ressalva sobre a necessidade de usar símbolos, como o “x” sobre os recipientes de lixo, para evitar o descarte do material nesses locais. Pela norma, a coleta de pilhas e baterias descartadas deve seguir uma série de regras, como o acondicionamento, a frequência do recolhimento do material, a destinação e as empresas envolvidas.
O rigor também existe para o transporte do material, informando sobre os envolvidos no processo e os locais de origem e destino. As empresas envolvidas na etapa da reciclagem também são submetidas à norma fixada pelo Ibama.
Devem ser informados os nomes das empresas fornecedora e responsável pela reciclagem, à destinação, o aterro utilizado pelas companhias e os procedimentos adotados no processo.
A preocupação das autoridades é com as ameaças à saúde e ao meio ambiente causadas pelas substâncias contidas nas baterias e pilhas. Nelas há, por exemplo, mercúrio, cádmio, chumbo, zinco-manganês e alcalino-manganês.
Há estudos que mostram que algumas substâncias podem levar à anemia, a problemas neurológicos e ao desenvolvimento de câncer. No meio ambiente, o descarte das pilhas e baterias pode atingir os lençóis freáticos, o solo e a alimentação.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Preocupação com o meio ambiente não é sinônimo de consciência ambiental

Já faz um bom tempo que ser Ecochato vem se tornando cada vez mais legal, ao ponto de se tornar algo politicamente correto e perigosamente hipócrita. Nos últimos anos algumas pesquisas vêm apresentando dados positivos, mas duvidosos, em relação ao aumento da consciência ambiental dos brasileiros. Dizer que está preocupado com a Floresta Amazônica, com a poluição dos rios e até com a redução do uso de sacolas plásticas virou uma resposta de aceitação social, assim como quando perguntamos as pessoas se elas são egoístas ou invejosas, mesmo que sejam elas dificilmente admitirão.

É muito fácil eu responder a uma pesquisa dizendo que me preocupo com a fome no mundo enquanto gasto uma fortuna comprando doces, refrigerantes, comidas sofisticadas e banco idas a restaurantes luxuosos. Também é fácil eu dizer que gostaria de um transporte público de qualidade falando isso de dentro do meu carrão importado. Da mesma forma é fácil eu dizer que me preocupo com o meio ambiente, mas na prática eu jogo lixo nas ruas, desperdiço água, jogo fora coisas que serviriam para alguém e fico sempre atento aos lançamentos das marcas mais famosas para afirmar meu status. É muito simples ser hipócrita e provocar resultados enganosos em uma pesquisa.

No fim de 2010 eu já havia publicado aqui o artigo “Pesquisas revelam que boas intenções contrastam com ausência de gestos dos consumidores brasileiros“. Apresentei duas pesquisas excelentes e inéditas que identificavam esta discrepância. Mas na última quinta-feira (16) fui surpreendido por uma pesquisa do Ministério do Meio Ambiente afirmando que a consciência ambiental dos brasileiros quadruplicou em 20 anos.

A pesquisa aconteceu pela primeira vez em 1992 durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - Rio 92. A quinta edição desta pesquisa retornou, vinte anos depois, intitulada “O Que o Brasileiro Pensa do Meio Ambiente e do Consumo Sustentável”. Entre os dias 15 e 30 de abril foram ouvidas 2.201 pessoas, entre homens e mulheres, acima de 16 anos nas cinco regiões do país.

A meu ver é óbvio que a consciência dos brasileiros – em todos os sentidos – tenha quadruplicado em 20 anos, pois em 1992 o Brasil e os brasileiros ainda não estavam acostumados com a recente liberdade de expressão e informação adquirida após décadas de controle pela ditadura militar. Além disso, é preciso destacar um fato que ocorreu no mesmo ano, mas não é tratado com a devida importância histórica: o inédito impeachment de um presidente no Brasil. Como podemos ser conscientes sem saber da própria história? Enfim, isso é outro assunto.

O resultado otimista desta pesquisa sobre o aumento da preocupação ambiental dos brasileiros é muito vago para aceitarmos como uma conclusão positiva. Segundo a pesquisa 99,7% dos brasileiros consideram importante cuidar do meio ambiente. Alguém responderia ao contrário? Claro que não, é feio perante a sociedade. Mas, como eu disse no título deste post, dizer que se preocupa com o meio ambiente não é sinônimo de consciência ambiental. Isso fica bem claro em outras partes da pesquisa.
De acordo com a pesquisa 43% sentem muito orgulho do país e para a maioria, 28%, o principal motivo é o “meio ambiente”. 61% dos entrevistados continuam achando que o desmatamento das florestas é o principal problema ambiental do país, mas infelizmente – na última posição – apenas 2% disseram que o principal problema é a falta de conscientização ambiental da população. Bingo! Acredito que se os brasileiros estivessem realmente mais conscientes a resposta sobre a falta de conscientização ambiental deveria ter sido a mais escolhida, não acham? Até porque a falta de conscientização que provoca todos os outros problemas. Veja na imagem abaixo:


57% dos brasileiros se consideram mais ou menos informados sobre meio ambiente, e eles têm toda razão. A polêmica das sacolas plásticas serve como exemplo para ilustrar isso, já que não nos dão informações suficientes nem discutem sobre reciclagem para apontar o saco plástico como o verdadeiro vilão. Apenas 3% dos entrevistados apontaram as sacolas como um dos principais problemas ambientais. 76% disseram ter aderido a campanhas de redução do uso de sacolas e 85% estariam dispostos a aderir em cidades que ainda não fazem campanhas de redução. Não sei se os entrevistados realmente aderiram às campanhas, ao ponto de nem se preocupar tanto com o problema, ou se quiseram apenas, mais uma vez, dar uma resposta politicamente correta.
Sobre hábitos desfavoráveis ao meio ambiente 41% admitem que jogam pilhas e baterias no lixo e 71% não jogam óleo usado na pia. Parece que as campanhas sobre descarte correto de óleo deram certo. Em compensação existe um dado duvidoso: 50% dos entrevistados dizem que não jogam remédios fora de validade no lixo. Ok, então jogam aonde? A pergunta deveria ser reformulada, pois a grande maioria descarta medicamentos vencidos no vaso sanitário. Já escrevi sobre isso no post "E se a água que usamos estivesse contaminada por medicamentos?"

Outro ponto curioso é em relação aos hábitos de consumo. Não é novidade que as decisões de compra em uma casa são muito influenciadas por mulheres, mas atualmente praticamente tudo que é importante é decido por elas, como alimentos, móveis, eletrodomésticos e roupas, o resto é decidido por ambos. Não é à toa que 40% dos cartões de crédito do país são usados por elas.
Por mais que as mulheres sejam naturalmente mais conscientes, a pesquisa identificou que apenas 32% dos entrevistados se sentem culpados ao consumir por impulso e somente 28% se arrependem quando compram produtos fora do orçamento. É um dado interessante, pois tem tudo a ver com as notícias que vemos ultimamente falando sobre o endividamento dos brasileiros provocado pelo uso descontrolado do cartão de crédito, aquele “grande” facilitador das compras. Segundo o último levantamento do Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) o brasileiro compromete 42% da sua renda familiar com dívidas no cartão de crédito. Além disso, 38,1% das famílias brasileiras não conseguem pagar a fatura antes da data de vencimento, sendo submetidas a altíssimas taxas de juros cobradas pelos bancos que podem alcançar até 323% ao ano.
Então estamos mais conscientes em relação ao meio ambiente, mas consumindo desesperadamente, gerando mais lixo, mais desperdício... faz sentido?
Ainda assim a pesquisa mostra que, se tivesse uma renda extra, 72% dos brasileiros aplicariam na poupança ou em fundos de investimento. Claro, se conseguirem pagar as faturas dos cartões de crédito.
Como qualquer pesquisa eu achei essa muito válida, mas não pela afirmação positiva noticiada pela imprensa, que o brasileiro está mais consciente, mas por mostrar que as respostas dos brasileiros são totalmente influenciadas pelo que a imprensa noticia. Portanto é necessário que tenhamos mais informação de qualidade, que possamos falar de outras coisas que levam a degradação ambiental, principalmente o consumismo. Só assim teremos brasileiros realmente conscientes, não só pelo que supostamente querem, mas pelo o que fazem.









quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Consciência ambiental no país quadruplicou, diz pesquisa

Os brasileiros estão mais conscientes sobre a importância do meio ambiente do que há 20 anos. Na comparação entre os primeiros e últimos resultados, divulgados em junho, a pesquisa O Que o Brasileiro Pensa do Meio Ambiente e do Consumo Sustentável, realizada desde 1992, mostrou que a consciência ambiental no país quadruplicou.
As versões do levantamento mostram, que enquanto na primeira edição, que ocorreu durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, 47% dos entrevistados não sabiam identificar os problemas ambientais. Este ano, apenas 10% ignoravam a questão.
Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente. “Esta é uma pesquisa que mostra claramente tendências”, explicou a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Brollo de Serpa Crespo.
Nessa projeção, a população da Região Sul mostrou-se mais engajada ambientalmente. Mais da metade dos sulistas sabem o que é consumo sustentável. “A diferença do Sul é impressionante em termos dos mais altos índices não só de acertos mas de atitudes corretamente ambientais”, disse .
Ao longo de duas décadas, os mais jovens e os mais velhos são os que menos conhecem a realidade ambiental, mas a consciência aumentou. Há 20 anos, quase 40% dos entrevistados entre 16 e 24 anos não opinaram sobre problemas ambientais, assim como mais de 60% dos brasileiros com 51 anos ou mais. Este ano, as proporções caíram para 6% entre os jovens e 16,5% entre os mais velhos.
“Isso tende a mudar ainda mais, porque agora temos todo um trabalho de educação ambiental nas escolas, o que vai refletir nas faixas seguintes ao longo dos anos”, disse Samyra, acrescentando que o nível de consciência ambiental “cresce à medida que a população é mais informada e mora em áreas urbanas, porque significa acesso à informação. E, na área rural, ainda há o habito de queimar o lixo”.

Atitudes ambientalmente corretas

Samyra afirma que os resultados mostram que a população, além de mais consciente, mostra maior disposição em relação a atitudes ambientalmente corretas e preocupação com o consumo.
A questão relacionada ao lixo, por exemplo, é um dos problemas que mais ganhou posições no ranking dos desafios ambientais montado pelos brasileiros. O destino, seleção, coleta e outros processos relativos aos resíduos que preocupavam 4% das pessoas entrevistadas em 1992, agora são alvos da atenção de 28% das pessoas.
Este ano, 48% dos entrevistados, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, afirmaram que fazem a separação dos resíduos nas residências. “Muitas vezes a disposição da população não encontra acolhimento de politicas públicas. Muitas vezes o cidadão separa em casa e a coleta do lixo vai e mistura os resíduos”, disse a secretária.
Na análise geral do país, os índices ainda são baixos, sendo que menos de 500 municípios têm coleta seletiva implantada. Enquanto a separação do lixo é um habito de quase 80% das pessoas que vivem na Região Sul atualmente e de mais da metade dos moradores de cidades do Sudeste. No Norte e Nordeste, mais de 60% não separam resíduos.
Entre os problemas ambientais apontados, o desmatamento das florestas continua no topo da lista elaborada pelos entrevistados. “A preocupação com rios e mares [que continua na segunda posição do ranking] se eleva a partir de 2006. Já é impacto da Politica Nacional de Resíduos Sólidos [criada em 2010]”, disse ela.
“O bioma Amazônia continua sendo considerado o mais ameaçado na opinião das pessoas”, disse Samyra Crespo, comparando as edições da pesquisa. Em 2006, por exemplo, 38% dos entrevistados estavam dispostos a contribuir financeiramente para a preservação do bioma. Este ano, o índice cresceu para 51%.
Samyra Crespo ainda aposta que a Política Nacional de Resíduos Sólidos vai provocar mudanças econômicas, criando um ambiente de estímulo à reciclagem. “Temos que trabalhar tanto na desoneração da cadeia produtiva, como com a conscientização ambiental. Os produtos corretos concorrem hoje nas mesmas condições”, disse ela, acrescentando que “não é tão simples porque você trabalha toda a cadeia do produto e temos poucos estudos de ciclos do produto”.
No decorrer dos últimos vinte anos, a população também mudou a forma como distribui as responsabilidades sobre meio ambiente. “Em 1992, o governo federal era o maior responsável. Isso vai diminuindo e a responsabilidade foi sendo atribuída às prefeituras. Continua a tendência a achar que é o governo [federal], mas cada vez mais o governo local é priorizado”, disse Samyra Crespo.